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Simples Nacional diante da reforma: ficar ou sair?

Cleudson 04/09/2026 2 leituras
Simples Nacional diante da reforma: ficar ou sair?

O Simples Nacional não acabou com a reforma. Mas a pergunta "vale a pena continuar?" deixou de ter resposta única — ela passou a depender de para quem você vende.

O que mudou na conta

No modelo novo, quem compra aproveita como crédito o imposto destacado na nota do fornecedor. Uma empresa no regime regular destaca IBS e CBS cheios; o cliente aproveita tudo.

Uma empresa no Simples recolhe em guia única, e o crédito que ela transfere é menor. Para o cliente empresa, comprar de fornecedor no Simples passou a ser mais caro — não no preço, no crédito que ele deixa de tomar.

Onde isso pesa e onde não pesa

Seu cliente Efeito
Consumidor final Nenhum. Ele não toma crédito de nada
Outra empresa Alto. O crédito menor vira desconto exigido no preço
Mistura dos dois Depende da proporção — e vale medir, não estimar

Uma loja de bairro, um restaurante, um salão: o cliente é pessoa física e a discussão não existe. O Simples continua sendo o regime mais simples e normalmente o mais barato.

Uma indústria que vende para revenda, um prestador que atende empresas, um distribuidor: aí a conta precisa ser refeita.

O caminho do meio

O artigo 41 da LC 214/2025 prevê que a empresa do Simples possa optar por apurar IBS e CBS pelo regime regular, fora do DAS, mantendo o Simples para os demais tributos. Isso resolve o problema do crédito sem jogar fora a simplicidade do resto.

É uma escolha com efeito prático imediato na competitividade, e não dá para decidir no olho: precisa de simulação com os números reais da empresa.

E essa escolha tem prazo

Não é uma decisão que se toma quando der. A Receita abriu a opção em janela:

Etapa Prazo
Manifestar a opção De 1º a 30 de setembro de 2026
Período em que ela vale Janeiro a junho de 2027
Cancelar sem consequência Até o último dia de novembro de 2026
Segunda janela, para quem perder a primeira Março de 2027, valendo no segundo semestre

Repare na terceira linha: dá para optar em setembro e voltar atrás até novembro. Na prática, são dois meses a mais para refinar a simulação sem perder a vaga. Quem deixa passar setembro sem decidir não ganha esse tempo — ganha uma espera até março.

O que levar para o contador

  • Faturamento separado por tipo de cliente (empresa x consumidor final);
  • margem atual por linha de produto ou serviço;
  • quanto do seu custo vem de fornecedores que geram crédito.

Com esses três números, a simulação sai em uma reunião. Sem eles, qualquer resposta é chute.

E vale marcar essa reunião olhando o calendário: a janela de setembro fecha no dia 30.

Onde conferir

Quem responde pelo seu caso concreto é a sua contabilidade. Este texto serve para você chegar na conversa sabendo o que perguntar.

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